Fotógrafos | Photographers

Adão Paiva - Fernanda Joaquim - Gabriel Reis - Gabrielle Patitucci - Géssica Nunes - Jailton Nunes - Laura Coelho - Leandro Queiroz - Mariane Freitas

Rafael Franco - Ramon “Raginmund” Lopes - Tainá Barbosa - Tereza Lumo - Thiago Facina - Yuri Leal

 

 

O livro “Torcedores” em 3 atos

Ato 1 – Eduardo 

Eu não poderia falar dos jogos sem falar de Eduardo Senise. Edu é um amigo de longa data e fanático por esportes. Durante os jogos Pan-Americanos em 2007 ele me presenteou com alguns ingressos para que assistíssemos juntos algumas competições. Não sou fã de esportes, apesar de já ter praticado um ou outro atrás de alguma qualidade de vida ou por modismo mesmo. Vez ou outra, olho para os atletas e penso: isso deve cansar muito. Eduardo, ao contrário, parece saber todas as regras de todos os esportes. Sabe os nomes dos grandes jogadores ou atletas de todas as competições. Entretém as crianças de nosso convívio contando histórias olímpicas como se fossem batalhas épicas cheias de heróis. Faz os comentaristas esportivos parecerem amadores e ainda dá aulas de marketing esportivo.

Enquanto ele olhava atentamente para as quadras, eu ficava de costas fotografando os espectadores. Aqueles que ali, como Eduardo, se importavam de alguma forma com o que acontecia nas quadras. A mim interessavam os gritos, as expressões de raiva, felicidade, frustração, tristeza, catarse. Rapidamente dividi o público em dois: uns são apenas plateia, outros são torcedores. Pretendem interferir diretamente no placar vaiando o adversário, empurrando seus ídolos aos berros, fornecendo um gole de água através de seus aplausos. Nos seus olhos eu vejo admiração.

A ideia de transformar fotos de torcedores em um projeto veio somente a partir desse convívio nos jogos de 2007 ao lado de Eduardo. Obrigado, amigo.

Ato 2 – O Projeto “Torcedores”

Ainda em 2007 me reuni com as produtoras da Baluarte Cultura para imaginar como essas fotos de torcida poderiam se tornar um livro, uma exposição ou algum tipo de projeto. Quase dez anos depois, por conta dos jogos de 2016, finalmente conseguimos patrocinadores para nossas ideias. Essa foi uma das grandes lições de todo o processo: algumas coisas demoram para acontecer. Fica aqui o agradecimento a Baluarte Cultura em especial à Paula Brandão, Fabiana Costa e Paula Sued pelo profissionalismo, por nunca me abandonarem e pelo amor contagiante com que tocam os negócios e a vida. Esse projeto é mais mérito de vocês do que meu. Obrigado.

O projeto consistia em fotografar torcedores durante os jogos de 2016. Também montamos duas turmas com alunos de ensino médio de escolas públicas para que pudessem aprender um pouco mais de fotografia e clicar torcedores. Assim, teríamos vários fotógrafos em diversos pontos e, talvez, mostraríamos aos alunos que a fotografia poderia ser uma profissão ou uma forma de expressão que os acompanhasse para a vida.  Além dos alunos e dos torcedores surgiu por parte de um dos patrocinadores a ideia de fotografarmos a classe trabalhadora pelas ruas durante os jogos. Ideia maravilhosa que caiu como luva. Os ambulantes e, principalmente, os artistas de rua deram um colorido especial aos jogos e às imagens aqui publicadas.

Por essa aproximação com as ruas foquei as aulas nos fotógrafos documentais que mais pautaram a fotografia de rua desde o seu nascimento. Eugène Atget, August Sander, Walker Evans, Lewis Hine, André Kertész, Cartier-Bresson e tantos outros foram apresentados e transformados em exercícios para os olhos, a mente e o coração. Agradeço aos alunos por aturarem meu jeito solto e desbocado e torço para que continuem fotografando e retornando a esses nomes clássicos como inspiração. Fico feliz em ver que algumas fotos aqui publicadas por eles são tão boas quanto as minhas e, por isso, assinamos o livro todos juntos. Para eles deixo uma dica: coragem.

 Ato 3 - Meus olhos e os jogos

 Durante os jogos basicamente frequentei a entrada do Parque Olímpico na Barra da Tijuca, as provas de rua (majoritariamente localizadas na Zona Sul do Rio) e o Boulevard Olímpico, local com telão, museu, casas de países e palco com shows populares.

O Parque Olímpico foi uma obra controversa, concentrando a maioria das obras para os jogos no mesmo terreno visando uma certa especulação imobiliária. O resultado é que na porta do Parque não se via um traço do Rio de Janeiro que costumamos ver. Sem transeuntes, sem ambulantes, sem artistas de rua. O belo mar de torcedores coloridos chegava sem obstáculos por um descampado calçadão de concreto. As bandeiras e os rostos pintados com chapéus se descortinavam lá de longe em meio àquele enorme vazio. Tudo calmo, distante e ordenado.

Em contrapartida, o Boulevard Olímpico (lá na Praça Mauá, bem longe das competições) fervia. Ambulantes vendiam todo tipo de comidas e artistas de rua eram celebridades nos selfies de milhares de pessoas. Ali o povo acompanhava tudo pelos telões e à noite zoavam e dançavam com os shows populares. Ali valia sentar no chão, levar comida, passear com cachorro, protestar nu, pagar barato, ter contato.

As provas de rua como triatlo e maratona eram igualmente encantadoras. Os torcedores de todos os países misturados nas grades, se apinhando para torcer em meio aos ambulantes vendendo bandeiras, medalhas olímpicas de plástico, algodão doce.

Depois da organização do Parque Olímpico, da diversidade do Boulevard e das provas de rua faltava ainda representar a maioria dos torcedores: aqueles que ficam em casa gritando, xingando e sorrindo com suas televisões como se os atletas do outro lado da tela pudessem senti-los. Nessa etapa do projeto entra Lola Borges, uma das maiores pesquisadoras de gente nessa terra, e que abriu tantas portas para que eu pudesse entrar nas casas e fotografar as famílias, o torcedor em seu sofá. Obrigado Lola por essa e por tantas outras.

 

Eduardo, Brandão, Sued, Baluarte, alunos, Lola. Esse livro é o trabalho de todos nós e muito mais gente produzindo, editando, imprimindo. Obrigado pela torcida nesse projeto! Fica aqui o eterno agradecimento e o convite para tentarmos ir a Tóquio torcer em 2020. Vamos?

 

 

Coordenação Editorial | Editorial Coordination

Arte Ensaio Editora

 

Projeto Gráfico | Art Direction

Pato Vargas

 

Tratamento de Imagens | Image Treatment

Thiago Facina

Pato Vargas

 

Revisão de Texto | Copy Desk and Proofreading

Cristina Parga

 

Versão para o Inglês | English Translation

Flavia De Araujo

 

Impressão e Acabamento | Print And Binding

RR Donnelley

 

Realização | Held By

Ciranda Projetos Culturais

 

Coordenação de Produção | Production Coordination

Baluarte Cultura

 

Produção Executiva | Executive Production

Tainá Santiago

 

Gestão de Patrocínios | Sponsorship Management

Ingrid David

 

Produção Administrativa | Administrative Production

Leandro Salomão

 

Estagiárias de Produção | Insterns Production

Andrezza Soares

Beatriz Costa

 

Texto de Apresentação | Presentation Text

Martin Curi

Thiago Facina

 

Curadoria | Trusteeship

Thiago Facina